29 de novembro de 2006

Por que silenciamos...

O amor é idealizado por todos nós. Isso é fato. Cada um à sua maneira sonha, planeja e vive o amor- embora alguns meramente o executem. E quando falamos dele, do amor, sempre recaímos em verbalizações tênues e poéticas, por uma simples justificativa: amor não rimaria com dor, jamais... Em Aritmética, romance de Fernanda Young, me vi diante de outro universo do amor. É bem verdade que não cheguei ao final do livro, mas nem preciso. Amor rima com transformação e, não há transformação sem sentimentos e a exteriorização dos mesmos, seja com alegria ou dor.

O encontro perfeito, muitos empecilhos no caminho, mas adiante: um The End. Os filmes e livros tendem a ser assim porque atendem a própria expectativa de quem os idealiza e a quem os recebe. Aritmética vai mais além. O The End é o tempo todo a transformação das dores e alegrias em instantes de prazer, de revisitação dos sentimentos e desejos e superação das frustrações, das tentações e dos limites. Talvez, por isso, sejamos demasiadamente puritanos a ponto de não nos aventurarmos em conversas "pecaminosas" sobre as estripulias afetivas-sexuais ou do desconforto que um palavrão causa aos ouvidos alheios e nossos.

Falar de amor, às vezes, é também vê a crueldade humana que há em si e no outro. É vê que o amor não elimina defeitos, rugas, limitações ou rabugices. No mais, faz-nos tolerante com o que há de inaceitável no outro por ser nosso objeto de desejo, de afeto e de posse. O amor é um cálculo pra mais ou pra menos, que sempre tem um resultado no final.

p.s.: Este texto fala de um amor novo... recente em minha vida, que tem tomado meus dias, meus pensamentos, meus desejos e minha mente. Amor a mim.

A duas amigas: Tatiana Domiciano e Isabelle Ichariglione pelos papos, reflexões e diálogos sinceros.

2 comentários:

Isabelle Chariglione disse...

Oi!
Sinceramente já escrevi tantas coisas,mas não consegui postar e as palvras se perderam, mas tentando continuar,assim que li fiquei super emocionada e ao mesmo tempo agradecida por suas palavras...
Escrever sobre amor, possibildiades, outro(s), nós, as vezes dói...é complicado entender ao primeiro olhar,mas depois de lido e entedido se torna o amor mais cafajeste e verdadeiro, melhor e pior,perfeito e defeituoso....amor mesmo sabe?Aquele que a gente sente, ama e odeia, nos engrandece e nos entristece...Amor...Amor nosso, amor que não temos, amor de ontem, amor...sei lá....
Depois desse devaneio, apenas agradecimentos....por nossas conversas tão verdadeiras e construtivas....Sempre me alegro ao final de um papo nosso.Aprendo muito com você!
Obrigada!

Anônimo disse...

Wagner, muito bom ler o que você escreve. É de uma sensibilidade e ao mesmo tempo, de uma beleza. Gosto muito de ler o seu BLOG.

Escrever sobre amor, possibildiades, outro(s), nós, as vezes dói...

Sim, mas escrever espanta o mal e a dor.

Vou escrever depois com mais calma!