27 de outubro de 2008

No fabuloso mundo das recordações


As lembranças de criança são sempre mágicas e afetivas. As mais doces e impactantes foram da minha tia Vera do pré-escolar vestida de palhaça em um palco na comemoração do Dia das Crianças. Foi de uma felicidade indescritível aqueles risos e a emoção de ver minha tia como "estrela". De sorriso largo, cabelos escuros e corpo esguio, Tia Vera era a alegria em pessoa. Ainda hoje a encontro na rua e com 33 anos a chamo carinhosamente de tia Vera pelo carinho e importância que ela teve e tem até hoje na minha vida: cuidou de mim, me instigou a pensar, me encaminhou pra algo tão raro hoje em dia: o ato de brincar. Verdadeiramente brincar.

Não tenho lembranças de circo, mas tive a melhor palhaça que alguém poderia ter: tia Vera fazendo caras e bocas e de tio Makários... A paixão pelo teatro foi despertada por um cara bonito de cabelos negros, falando e ágil. Tio Makários era considerado o galã da escola, já que lá existia o curso para normalistas e a gente percebia o alvoroço da mulherada. Mas voltando ao teatro e tio Makários...

Foi com ele que aprendi a amar o teatro, a saber a importância das palavras e a lembrar sempre que não existe certo ou errado: existem opções. Anos depois o reencontrei nos corredores da UFPB. Isso já no finalzinho da década de 90... Ele, claro, não lembrava de minha fisonomia, afinal, já se passaram mais de duas décadas. Mas eu lembrava: tio Makários transpira amor pela vida e ao teatro. Não tinha como esquecer de alguém tão importante na minha infância e que me projetou olhares para o futuro.

Ficamos amigos e me aventurei a fazer oficina de teatro com ele para descobrir que com o teatro a gente nunca sabe nada. Somos constantes aprendizes do teatro e de nós mesmos. Com Makários descobri o quanto uma emoção é complexa quando se pretende que não se sinta apenas, mas que a expresse na medida exata. Por isso, só tenho a agradecer a ele e a tia Vera o quanto me ensinaram sobre essa necessidade de buscar as emoções e deixá-las brotar no rosto, no pele, no sorriso.

Há coisas em que não é necessário fazer agradecimentos, mas a consciência de tê-las e vivê-las meramente.

Aos mestres, com carinho.

E a Makários, meu eterno amigo, valeu pelos ensinamentos... do homem e seus sete pecados...

2 comentários:

Makarios disse...

Não paro de chorar... E lembro aquele dia, com Tia Vera, e choro mais... E mesmo não sendo aluno, mas um colega de trabalho, também fui tomado pelo poder do amor e da alegria que Tia Vera sabia usar para ensinar e para encantar nosso convívio. Viva Tia Vera!
E quanto a mim, você sabe que o orgulho maior é mesmo do velho professor que se sente duplamente honrado, pela lembrança no texto, mas muito mais pela figura competente e brilhante em que o aluno se construiu. Muito obrigado. E será sempre eterno este nosso amor. Beijos.

Vinelli, Bruno Vinelli. O PatoQuack disse...

Quem conhece e foi educado por ele, claro que tem amor sim.

Ele foi um grande educador para mim, ele e Adriano, tecnico de basquete.

Mas, foi ele que me fez entrar para nunca mais sair do mundo das artes.

Beijos