18 de dezembro de 2008

A dureza das palavras e a devastidão do sentir

Clarice, clarice, clarice... Às vezes acho que Clarice Lispector fala o tempo todo de mim. Às vezes, tenho certeza que eu vivo seguindo suas tramas. Não sei ao certo o que, de fato, ocorre. Só sei que ao ler imediatamente meus olhos saltam frases, versos, pensamentos, situações que dizem muito do que eu enxergo no mundo ou o que sinto. É uma dor imensa esse sentir... abaixo um trecho que adoro e me peguei lendo hoje e tinha que ser hoje... após uma conversa via msn ontem.


'Bom, apesar de meu ar duro, que aliás, vem também do fato de meu nariz ser tão reto, apensar de meu ar duro, sou cheio de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza, essa grandeza que você percebe e de que tem medo.

Como se de súbito tivesse notado que falara sério, parou e riu para desfazer tudo o que dissera:

- Meu amor pelo mundo é assim: eu perdôo as pessoas terem um nariz mal feito ou terem lábios finos demais e serem feias - todo erro dos outros e nos outros é uma oportunidade para mim de amar. Veja, não permito que ninguém mande em mim, e no entanto não me incomodo por exemplo de simplesmente seguir o programa traçado na faculdade para o ensino de cada classe."

Foto: literatus.blogspot.com
Trecho extraído do livro Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector. Página 60.

4 comentários:

Diego disse...

Clarisse é Fantastica... E suas referências são excelentes...rsrss...abraços

Aldenor Souza disse...

É como se diz:

Quem procura acha e se empacha...

Fernando Campos disse...

Amo Clarice! Ao mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores, ainda que os textos confessionais aqui coligidos possibilitem reveladores vislumbres de sua densa personalidade.

Afinal de contas, todos nós escondemos mistérios...

Fernando Campos disse...

Ah, ela disse uma vez:

“Sou tão misteriosa que não me entendo.”


rsrsrsrs...sou um pouco assim também!