12 de dezembro de 2008

O que o mundo quer de nós?

Foto: Uol


Eu acredito nas pessoas até que elas provem o contrário, mas sou excessivamente desconfiado com as boas intenções da humanidade, por isso, curto tanto assistir as 'delicadezas' de Flora na novela A Favorita, da Rede Globo.

As frases dela como 'ah, dona Irene, não precisava...' são emblemáticas da mediocridade real. As pessoas, no fundo, são egoístas por instinto de sobrevivência, em sua maioria. Mas há as que são egoístas como um exercício diário de atender às solicitações do mundo.

Mas o que o mundo tem a ver com Flora, com minhas desconfianças e com tudo mais? O mundo quer de nós muito. Nos cobra o pódium. O modelo de sociedade que se estabeleceu 'fast food' é embasado na supremacia a todo custo. A nossa trajetória começa lá no ato sexual, quando um esperma sai na frente, consegue adentrar o óvulo e olhando pra trás, rir de todos os outros que estão a morrer. 'Ah, bando de manés...', talvez o esperminha esperto pense assim no ápice de sua vitória. Ou nem pense por achar desnecessário perder tempo com perdedores.

Flora me mostra a cada dia que as pessoas são boas ou más dependendo do nível de interesse e o que tem a ganhar com tudo isso, seja um elogio ou crítica a fazer sobre alguém ou simplesmente aquela emissão de opinião criteriosa sobre alguém, seus talentos ou qualidades profissionais. Floras estão em toda parte, de calças compridas ou minissaias; de look ultramodernos ou de blazers clássicos, de ternos ou de bermudões surfistas. Pouco importante o figurino ou sexo.

Todos somos um pouco 'Flora', em maior ou menor grau. Talvez por isso adoro as vilãs humanas que são bem humoradas e solitárias, doces e agressivas e más e boas em dosagens a se confirmar sempre... E o mundo tem mostrado que Floras são sempre bem vindas à terra porque o humano gosta do que consegue se identificar e projetar no amplo 'espelho de Narciso' que é a nossa vaidade humana. Só que nenhuma delas tem me feito rir tanto quanto a Flora de João Emanuel Carneiro graças aos textos divertidos, os belos olhos de Patrícia Pillar e aquele traçado tão peculiar de seus dentes...

3 comentários:

Diego disse...

Sem falar que Patricia Pilar é uma gata...Com a beleza Flora engana bastante...rsrsrsrs..abraços Hardman

Fernando Campos disse...

Morro de rir com a Flora do João Emannuel também. Mas concordo com você que o mundo tá lotado de Floras, de todas as classes, tipos e atitudes. O problema maior, é que às vezes, a pessoa morre, e nem desconfiamos que no fundo, ela era uma "Flora"...rs! Um abraço

DIEGO disse...

Concordo. Sou Deus e o sou Diabo.
Há uma frase do Moska e da Zélia Duncan na música "Carne e Osso" que diz o seguinte: _" A Alegria do pecado às vezes toma conta de mim E É TÃO BOM NÃO SER DIVINA".

Não existe PERFEIÇÃO para as pessoas e é como disse vc no texto, pessoas extremamentes do bem, não são divinas, como a FLORA era considerada por muitos, antes da descobertas do crime.

O autor da novela teve uma "sacada" de mestre, entregando o papel de protagonista a Cláudia Raia, quem iria imiginar que a Donatella seria uma pessoa que tem o lado do bem mais desenvolvido, PERUA, IGUAL A UM TRAVECO srsr, DESASTRADA,IMPACIENTE, GRITAVA, DISCUTIA, enquanto a DOCE FLORA vivida pela PATRÍCIA PILLAR, cara de anjo, sofrida por ter ficado 18 anos na prisão, doce seria a mais fria assassina.

REALMENTE AS APARÊNCIAS ENGANAM!