5 de dezembro de 2012

Estampas de dentro e de fora

Meus versos
são o sangue
que corre
nas veias
e me 
ligam 
a ti

Meus versos
são os pelos
que encobrem
a pele
do frio
longe 
de mim

Meus versos
são palavras
vocábulos
métricas
melodias
de ode
extensa
a ti

Meus versos
são manifesto
de tua 
chegada
brinde
dos dias
e noites

... 
meus versos 
são a ti
reverência
de rara beleza
na estampa aí fora
e dentro 
de mim


Wagner Lima, escrita às 11h48 do dia 5/12/2012

4 de dezembro de 2012


A costura da volta

Wagner Lima


Saudade
É a presença inflamada
De cada instante
Da tua existência
No calor líquido
Regando a palma da minha mão

Saudade
É a linha preenchida
Margeando teu nome
Meu corpo fazendo ninho pra receber...
teu aroma
Nas rotas (vicinais) da cidade

Saudade
É essa costura
Do avesso de teu olhar
Ao ponteio de meu riso fácil
Saudade
é você latejando em mim que quer voltar



Iniciada dia 1/12 e concluída 80% em 4/12/2012

3 de dezembro de 2012

A aquarela de teus olhos



teus olhos
cor de mel
hipnotizam
e redesenham
a aquarela
do meu querer

teus olhos
cor de mel
arrastam a mim
nesse facho
de brilho intenso
de joia rara

teus olhos
moldura
de mim
refletindo
em tua íris etérea
partida-chegada



Wagner Lima, 03/12/2012 às 11h09

29 de novembro de 2012

Grávidos de nós









Grávidos de nós

Ah, lua
Grávida encanta como a gerar frutos
Desperta nos amantes uns suspiros
Uns derretimentos
Como se o mundo começasse agora


Ah lua
Brilha no céu de tua boca
Mudando as marés de salivas
Em marés intensas
Porque até eu te provoco
E lanço ao mar meus rios

Ah, lua
Te larguei no escanteio
por beijos intermináveis
Incansáveis até
E o mundo começava ali
Por entre derretimentos e suspiros
Grávidos de nós






por Wagner Lima, 29/11/2012 às 11h20

26 de novembro de 2012

O reverso

Wagner Lima, escrita às 4h40 do dia 26/11/2012


O vermelho de tua boca
me inquieta
me atiça
me envolve
me aprisiona
me absolve



O vermelho de tua boca
me aquieta o peito
me inquieta o sexo
me doma os olhos
me inunda o palato
me aprisiona às mãos


tua boca
meu reverso
tua língua
meu repouso
teu beijo, meu vício

23 de novembro de 2012

Alívios

Wagner Lima  19/11/2012 


Só quero um copo d´água de tua saliva para aliviar essa sede
gole a gole
trovejando a boca ressequida
prenunciando o toró
boca ávida por teu hálito
adentrando meu paladar

só quero aliviar
gota a gota...

só quero a enchente 
tua saliva em minha boca
dente a dente
eu, náufrago de mim, salvo por tua língua
me conduzindo aos corais de teu desejo em mar aberto

eu lançado ao paraíso
prisioneiro do meu próprio prazer

diante desse calor que queima
por milhares de segundos
o bálsamo dos dias
redenção dos hábitos profanos
me conduzindo a uma dança dos sentidos

pele a pele
boca a nuca

lábios
boca
saliva
fontes d'outras tentações

10 de novembro de 2012

Audry Tautou


Felicidade é ligar a TV e rever inesperadamente "Amar... não tem preço". 
Viva minha princesinha francesa Audrey Tautou.

7 de novembro de 2012

A impermanência das coisas


"Tudo na vida é impermanente"

 Hoje zapeando a TV acabei vendo o início de Viver com Fé, programa de Cissa Guimarães no GNT. A história era de uma mulher que com pouca instrução e morando na casa dos sogros aos 16 anos perdeu o companheiro. Daí até o hoje, a fé foi a única coisa que a manteve não só de pé, mas a fez dar os passos que às vezes a vive nos exige para evoluir, crescer, amadurecer.

Passos e passos, hoje ela é advogada, tem filho e uma rede com três escolas particulares no RJ. A moça que mal sabia ler, escrever e sem formação. Daí que resolvi ver outros episódios e acabei caindo no depoimento O que vi da vida com Cissa Guimarães. É de uma emoção, força e maturidade impressionantes ainda hoje.

Sendo só fissura...




A cada milágrimas sai um milagre 
Em caso de tristeza vire a mesa 
Coma só a sobremesa
 Coma somente a cereja 
Jogue para cima, faça cena 
Cante as rimas de um poema 
Sofra apenas, viva apenas 
Sendo só fissura, ou loucura 
Quem sabe casando cura 
Ninguém sabe o que procura 
Faça uma novena, reze um terço 
Caia fora do contexto, invente seu endereço 

 Itamar Assumpção e Alice Ruiz

6 de novembro de 2012

Os rios dentro de nós





Afeto e desejo raramente se encontram na vida dos homens

IVAN MARTINS - 31/10/2012 09h07

Afeto e desejo são sentimentos gêmeos. Em alguns momentos da existência eles se ignoram, em outros parecem inseparáveis. Na vida dos homens, mais do que das mulheres, eles são como rios paralelos que às vezes se esbarram, mas raramente se encontram. Por isso é tão mais difícil para os homens encontrar prazer e sentimentos duradouros. Por isso não conseguem estar inteiros nas relações – porque vivem divididos por dentro.

Acho que essa dificuldade explica parte das contradições que os homens exibem o tempo inteiro. “Ele disse que estava apaixonado, mas logo depois mostrou que não estava”: era o desejo falando, sem o amparo duradouro do sentimento. “Ele foi embora, mas voltou logo depois, dizendo que me amava”: o corpo da outra precisou estar ausente para o sujeito perceber os próprios sentimentos. “Ele parecia tão interessado quando eu não queria, depois que eu me apaixonei ele sumiu”: o desejo enlouquece com o que ainda não tem, e pode se cansar rapidamente depois de saciado. Afetos são mais constantes e duradouros.

Nenhum desses comportamentos é exclusivamente masculino, mas eles são mais visíveis nos homens – embora a gente escute reclamações, cada vez mais frequentes, de que as mulheres estão agindo de forma igualmente egoísta e superficial. Num mundo ordenado cada vez mais profundamente pela lógica da posse e do consumo, ninguém está imune a se portar como colecionador serial de corpos e pessoas descartáveis. Pode ser, mas o convívio sugere que mulheres ainda são mais atentas aos próprios sentimentos, e que eles falam mais de perto com as sensações delas de prazer. 
Dou um exemplo: mesmo homens maduros podem se descobrir à beira de um colapso nervoso ou de uma depressão enquanto se relacionam, simultaneamente, com um bando de mulheres. O sujeito está péssimo, mas continua ali, tentando resolver sua angústia num mar de... mulheres. É mais difícil achar uma mulher numa situação dessas. Mesmo aquelas que poderiam abusar do corpo ou do carisma agem de outra forma. Uma rápida peneira afetiva faz com que o bando de candidatos ou fiquetes seja reduzido a um (ou dois) que tenham significado emocional. O resto dança. As mulheres são menos propensas a se perder num mar de corpos. Os homens, para o bem e para o mal, parecem às vezes ter nascido para isso - ainda que os corpos sejam somente imaginários.

Outro dia, uma aluna de jornalismo que está fazendo um trabalho de conclusão de curso me fez a pergunta de um milhão de reais: o que é o amor para você? Na hora, claro, eu respondi bobagens prolixas. Horas depois me ocorreu uma resposta mais simples, que tem a ver com o assunto do qual estamos tratando. Amor é foco. Amar é sentir que a vida se condensa em torno de um sentimento e de uma pessoa, e por isso se torna deliciosamente simples, tanto quanto intensa. As dúvidas e os problemas recuam para o segundo plano. O tédio, o medo, a confusão se dissolvem num grande sentimento claro e límpido. Ele é como o facho de luz que atravessa uma lente e se transforma, do outro lado, num único ponto rutilante.

Essa definição de amor significa o contrário da multidão de corpos. Ela é sinônimo de escolha e singularização. Talvez por isso seja difícil de atingir, e ainda mais difícil de manter. O desejo que se desloca de um corpo para outro, sem passar pelo filtro rigoroso e constante do afeto, é o contrário da seleção. Ele não implica em renúncia nenhuma, e talvez não leve a lugar algum.

Não sei se o desejo inquieto dos homens algum dia será coletivamente diferente, mas, pessoalmente, individualmente, ele muda. Com o passar do tempo, cresce de maneira imperceptível a vinculação entre sentimento e desejo na vida dos homens. O sujeito não se torna necessariamente mais constante, mas o desejo dele começa a ser subordinado a critérios que as mulheres talvez reconheçam, por serem afetivos – ele deseja quem conhece melhor, deseja mulheres de quem gosta. Aquela dona escultural de quem ele nem sabe o nome é uma delícia, mas não é com ela que ele sonha embaixo do chuveiro.

O desejo profundo passa a incluir formas de intimidade e acolhimento. Continua volátil, ainda insiste em ser voraz, mas cada vez está mais vinculado aos afetos. Os rios do amor e do desejo cuidadosamente se aproximam. Talvez uma vida não seja suficiente para que se juntem, mas quem realmente sabe?
(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)







http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ivan-martins/noticia/2012/10/os-rios-dentro-de-nos.html

9 de outubro de 2012

20 de setembro de 2012


Respeitem o ócio




De que adianta correr se o final da estrada é a morte? O importante não é correr. É mudar de posição e perceber a si e aos outros no percurso. Impressionar não impressiona não, mas assusta ver tanta gente jovem se dizendo desgastada pelo trabalho, que não tem vida e que não consegue pensar ou ter lazer, quiçá comer direito. Respeitem o ócio. É nele que reside a felicidade. 

E se você só é feliz fazendo dezenas de coisas que não o deixa sonhar com o futuro, sentir saudades do passado, dialogar com o seu íntimo e, por vezes, escondido eu tenho uma revelação a lhe fazer: a felicidade é aqui, mas a coragem fica ali.
É preciso ter (ser) coragem para alcançá-la e conquistá-la. Não aquela conquista digna de um conquistador barato, mas “aqueloutra” que se lança com a sua verdade diante dela para poder chegar até o mundo inteiro, pleno e mais humano.

Respeitem o ócio porque é nele que se pensa e se fala besteiras. Asneiras mesmo.  De que adianta matar sua juventude e “adultez” pensando nos frutos financeiros que só serão desfrutados numa terceira idade tristonha, frustrada e limitada no corpo, na mente e nas esperanças? Quem envelhece a si, perde um dia de vida para as coisas do mundo. E se perder diante do mundo é perder o sentido da vida que é se achar na perdição do mundo.

25 de julho de 2012

Aquela noite encantada


Vez por outra a gente nutre sonhos ou tem desejos. Um dos desejos guardados desde 2010 era ver Milton Nascimento. E aquela sexta-feira, 20 de julho, não poderia ter ficado mais marcada como uma das mais bonitas dos últimos tempos: companhias agradáveis, frio, música e encantos mil. Uma noite pra se guardar do lado esquerdo do peito ou espalhar pela memória para que ela mesma não se esqueça do quanto são mágicas as possibilidades de felicidade. Mesmo quando o pra sempre não é pra sempre.

Em particular, Travessia tem tudo a ver com a sexta e com a quarta-feira. Uma noite agradável a quem me ler mesmo sem sol.Belíssima letra de Fernando Brant pra melodia de Milton

:-(

24 de julho de 2012

Teu peito: cais e mar aberto


Teu peito, bálsamo noturno
Em dobras que me perco
E adormeço
E me deleito a horas perdidas
Com teu calor, teu sabor e cheiro
Teu peito, meu aconchego
Retomo o lado menino
E te sinto em cuidados e proteção
E me espraio em tuas dobras
Porto seguro de meus desejos adormecidos
Teu peito: cais e mar aberto
Ancoro e me lanço às correntezas
Navegando tuas dobras com a boca
Margeando teus limites com as mãos
Espraiando em teus braços

Wagner Lima

João Pessoa, 25/07/2012 às 0h25

20 de fevereiro de 2012



     Instantes falicos
        Eroticos
      E meus olhos
      Te despem
      ...
      Rapidos
      Os instantes
      Em troca de beijos

      Falico
      E a ti ergo imagem
      A tua devocao

      Pecado e fe
      Eu e voce
      Dois num soh ser


      Wagner Lima 07/02/2012 as 19h39

Cantos de ti

Nos vitrais
reflexo de ti
Contornos
Forma

Na sala
Teu compasso
Pes inquietos
Rumo a mim

... No quarto
Teu cheiro
Teu sexo
Teu calor

Cada canto...
Voce ali, aqui, acola
Cada canto de mim
Inspira calor por ti

Wagner lima 6/02/2012 as 14h30

28 de janeiro de 2012

A tua (nao) presença








Depois que você se foi
nossos silêncios
estraçalhados se foram ao chão da sala
Ficaram as marcas
de tuas palavras
de teus travessões
de tuas reticências
me pontuando, me marcando
como se as linhas
do meu corpo precisassem
de tua boca para margeá-las

É aquela vírgula
que não me põe mais em teu compasso
Nao sei, enfim, para onde fostes.
Esse desconhecimento é a pura exclamaçao
que lateja e se choca contra a essa saudade

Depois que voce se foi
Teus sinais não me deram mais o norte
Nem no sul gélido da saudade te encontrei
Depois do depois do depois perdi as contas
das horas em que revi tua foto
dos instantes que ouvi tua voz ecoar em meu ouvido
e desenhar um novo percurso em minha nuca

Depois que você se foi
O sentido perdeu os reais sentidos
A reta entornou o trajeto
De meu olhar feliz na cumplicidade
num instante eterno cortejando o teu

Wagner Lima

Iniciada no dia 27 de janeiro por volta das 21h e concluída no dia 28 às 17h40

27 de janeiro de 2012

A pele que veste A pele que despe



O tom amadeirado de tua tez
encharca meus sentidos
em cada mergulho em teus braços
me lanço em precipío olfativo
entre o cheiro,
aquele que te despe
e cheiro,
este que me veste
de outra pele
mergulhada
me fazes embriagado
por teu hálito quente
por ondas de beijos úmidos
no adormecer da noite

Wagner Lima
26.01.2012 12h30

A outra forma de dizer essa mesma coisa surgiu assim no rascunho
O tom amadeirado de tua tez
encharca meus sentidos
e a cada mergulho em teus braços
um precipío olfativo
entre o cheiro que te veste
e cheiro que me veste
de teu hálito quente e beijo úmido

26 de janeiro de 2012

Olhos negros

Em turvas águas
mergulho

Teus olhos negros:
correntezas
de um rio
que parece não findar
refletem em instantes
meu olhar encantado

rio que pelo espelho
me revela

Teus olhos negros
refletem meu olhar
mirando tua palavra
no exato momento
em que pronuncias um afeto

No fundo do rio
as águas turvas refletem
teus olhos a espera
de apenas um mergulho

em teus olhos negros:
mergulho

Wagner Lima 25/01/2012 às 12h4

10 de dezembro de 2011

As mandalas do EU

"Pra chegar a claridade do amor..."

A claridade sempre chega. Por mais que demore, chega. Ter (re) começado a terapia me faz pensar que o "eu", nao aquele egoísta que reina em muitos indivíduos, mas aquele que representa a base que a sustenta na gente aquilo que a gente é e aquilo que a gente quer vir a ser, estava precisando ser prioridade meses depois. Foram vários passos dados silenciosamente. Descobertas que durante meses nao foram possíveis encontrar no consultório mas que devido aos exercícios elas vieram no tempo certo e a ressaca.

Recomeçar não é sinal de fraqueza, mas de entendimento que é hora mais uma vez de assumir as perdas e os ganhos. É hora de se olhar no espelho e enxergar além da sobrancelha, cabelos e barba e assumir: este aí oculto, indeterminado, silencioso é vc.

Que chegue mais uma sexta-feira.

Luta de classes

Abrir-me em abraços
e te fazer refém
do calor da minha tez
Eis o convite que faço
a abrir-se a mim
mesmo que em pedaços
...mesmo que os abraços
não tragam a temperatura de outrora
...Mesmo que venhas aos poucos,
em pedaços de vontades

e nessa costura dos sentidos
rocemos lentamente os pelos
diante de olhares lânguidos
e radiantes
Assim: o sujeito sufoca o predicado
minutos antes de conjugar mais um verbo: querer


10/12/2011
9h

15 de novembro de 2011

Ponteiros invertidos




Conto os dias
Refaço as horas
Esmaeço o meu ritmo
do pulso cardíaco
Recomeço e me perco
Revejo o tempo
inverto os ponteiros
porque a vida é o avesso

Wagner Lima 15.11.2011 às 6h18

http://migre.me/6a0nz

Rastilhos de Pólvora




No amor
O pouco que me cabe insisto:
pela palavra dita
pelo verbo conjugado
pela pele estremecida
Afora isso,
há incompetências: fórmulas, cálculos, sentidos.
No amor,
o muito que me cabe
é um rastilho de pólvora:
úmido
pueril
perigoso
No muito e pouco que me cabem
na medida exata
um coração em guerra


Wagner Lima, 14.11.2011 às 20h

5 de julho de 2011

O mundo bizarro das academias

Ter um corpo perfeito é possível? É acreditando nisso que muita gente vai mesmo na marra às academias de musculação. O resultado às vezes chega a ser patético quando se para e observa esses seres estranhos no ninho querendo ser igual aquela moça da novela com bumbum durinho. hehe Em homenagem a esse grupo de seres ainda não estudado pela ciência, nem analisado pelos antropólogos da forma que deveria ser, esse texto é apenas um recorte de que as coisas estão piores do que na época que se andava pelado com vento batendo na bunda. E como adoro listas, aí vai mais uma.

1-Por que os caras que mais malham pesado e todos os dias são os mais gordos?
Vendo todo dia os caras pegarem 50kg no supino (o sonho fálico da maioria rá rá) pensei porque eu cresço em músculo e seco rapidinho e os caras que pegam mais peso só aumentam em gordura? Mistério...

2-Por que tem gente que insiste em malhar sem ter tomado banho antes? Dois suores juntos é a pior coisa olfativa que alguém pode compartilhar com o outro. Pode crer

3-Por que as mulheres adoram usar shortinho colado, marcando a calcinha e muitas até mostrando a polpa do bumbum e se irritam quando a gente olha? Afinal, é a bunda que mira insistentemente a visão da gente. kkkk

4-Vamos revezar? Eu não consigo ser solidário numa academia. O meu tempo é o meu tempo. Por que quem não está nem aí para o tempo cronometrado de suas repetições adora revezar nos equipamentos?

5- tim tim, pei , pá - Já repararam que tem gente que sempre pega peso a mais do que pode e acaba jogando os pesos e o final vira uma grande orquestra de sons infernais?

6- Vai malhar ou prefere o papo? - Adolescentes e jovens são os maiores protagonistas. Eles vão pra academia, ficam olhando pro tempo e provocando conversas. Tudo estaria lindo se não fosse um detalhe: batem papo agarrados a algum equipamento. Nada melhor que uma cara simpática e uma pergunta não menos simpática: "você ainda vai malhar aí, fera?'. Me sinto até superior com o "fera" rá rá rá

7- Por que em geral os professores ou instrutores de musculação não são lá um exemplo de plena forma? Ou são barrigudinhos ou tem aquela desproporcionalidade: costas de nadador, perna de paralisia. rs

8 - Por que as músicas se repetem tanto? Pra que vc leve seu mp3 e não fique pensando em criar listas como essa. hehhehe

9- Por quem tem gente que vai pra academia e chega lá citando a bunda, a barriga ou as pernas de atriz ou modelo X, que está em evidência na TV no momento, e não larga refrigerantes, pizzas, bolos e tudo mais e ainda fica choramingando porque não melhora?

10- Por que tem caras que adoram ficar secando o bíceps e tríceps do outro? Narciso morreu de tanto admirar o reflexo do espelho.

29 de junho de 2011

A ditadura da felicidade



Convivo bem com o estar só, o que não significa não imune à paixão. Há sempre algo nas relações afetivas que me cansa: o açoite na liberdade. A única tábua de salvação que tem me mantido no mundo é a liberdade. É essa fascinante janela em que a gente pode quase tudo e quase ninguém percebe. Confesso que não vejo muito sentido na vida, às vezes. Mas isso não tem a ver com depressão, decepção ou traço suicidade. Eu sempre vejo a euforia com certa retração e receio. E vejo na invenção de ser feliz uma válvula de escape para que as pessoas não pirem. É preciso acreditar em alguma coisa. É preciso ter alguma escora. Mas eu, mesmo com escoras, vejo pouco sentido na vida, às vezes. E quando não vejo esse sentido geralmente estou mais alegre do que triste.


"Ah, vontade de ficar mas tempo de ir embora..."


Esse clima de docilidade e tristeza me fascina mais, me atiça mais, me acrescenta mais. Quem quiser reprovar que reprove, afinal, a ditadura da felicidade foi consolidada no Brasil nos anos 90 com os modismos musicais e se alastrou para outros segmentos da cultura brasileira. Uma letra como Trocando em Miúdos de beleza rara passou a ser enxergada como cafona, sofrida e coisa de velho porque a moda era dizer que era feliz. Mas que felicidade é essa que precisa gritar, pular, encher a cara ou se dopar de sexo sem ter a noção no dia seguinte de tudo que se viveu? De que adianta viver a 190km/h se não se sabe depois o que viveu e, de fato, nada ficou? É viver o efêmero. Nem se tem o que esvaziar porque de fato nada preenche.

Meu barroquismo não deixa que eu seja alegre e eu até fico alegre com isso (;-p) . Alegria, às vezes, pode ser o reverso que poucos dominam ou identificam. Coisa rara de se perceber.



Fotos: http://magmode.wordpress.com/2010/12/

27 de junho de 2011

Coisas que irritam no primeiro encontro

Encontro: quando dois olhares se cruzam e provocam uma sinergia de que algo pode estar a favor deles, seja lá qual for o resultado final: amor, sexo ou ira! (rá!). O primeiro encontro é também um primeiro aceno de tudo que pode vir para o bem ou para o mal. Somos, em geral, avaliados pelo que fazemos, dizemos, vestimos ou até pelo que não fazemos. E daí? Daí que há coisas insuportáveis que geram raiva na hora e muitas risadas em confissões entre amigos naqueles típicos papos "tenho uma para te contar de mijar de ri". E nem sempre é necessário ir ao banheiro, mas que é cômico, intrigante e até bizarro alguns comportamentos ah, é!

1- Cuspir no chão
Seja lá o que danado se passa na cabeça do povo, cuspir no chão deve ser talvez a única coisa que se deva fazer num primeiro encontro. Só se engolir um besouro. Aí é cuspir este "corpo que não te pertence".

2- Chegar saindo
Pode até não ser proposital, mas tem coisa tão mais chata do que chegar já dizendo que em 1h30 tem um compromisso ou uma balada com amigos? Hum, quem ouve tem vontade de mandar ir correndo pra a agenda lotada.

3- Palitar dentes
Pior do que uma folha de alface ou pele de feijão no dente é um "arqueólogo dos dentes". Palitar dente em público é feio, anti-higiênico e eu acho falta de educação. A mão que escavacou os dentes vai ser a mesma que voltará a mão no cartão de crédito ou dinheiro e poderá em sandice sem tamanho alisar seu rosto. argh

4-Falar de ex-s
Coisa de quem realmente não tem noção. Precisa ficar citando os ex, os comportamentos ou o que faziam juntos? Já pensou se o primeiro encontro para valer é num parque e você fica ouvindo como foi romântico o pique-nique com ex lá? ah, vá... retorno pro seu livro de memórias.

5- Unhas do dedo do pé sujas
Acho feio. Tenho uma amiga que dizia que homem com unha do pé suja tira o tesão dela em transar. ahahahahahahah Não sei se chega a tanto, mas que é feio ah é.

6- Como é assim
Esse é o sintoma de grandes dificuldades ao ouvir naquelas conversas em que se expõe a opinião ouvir: "ah, comigo tem que ser assim". Fuja! É o primeiro sintoma que você terá que fazer terapia ou ter paciência em lidar com gente imatura

7- Ciúmes voluntários e injustificáveis
Lembram de Dormindo com o Inimigo? Se aquele tivesse tivesse um começo seria por aqui: na primeira cena de ciúmes voluntário, sem justificativas, fuja! Quem tem ciúmes do vento, passa a procurar um motivo para tê-lo o resto da vida. Solução: terapia só. rs

8- Garrafa de bebida na saída
Vão me dizer que é moderno, que é descolado, mas pra mim não. Já tive um primeiro encontro que se tornou primeiro e único pela insistência de se querer sair de restaurante com garrafa pela metade. Sair até sai, mas sem mim. heheheh

9-


Obs.: esse post está em construção. alguém tem dicas, ideias, sugestões ou experiências próprias que eu possa relatar para salvar a humanidade de coisa pior após um primeiro encontro? ;-p

26 de junho de 2011

Flashs da noite

Foto: Wagner Lima

O silêncio da noite tem um encanto ímpar. Noite dos insones. Noite dos desesperados. Noite dos vagantes. Noite dos quem tem fome de ouvir o próprio silêncio. Pois, sim, sim. O silêncio fala e diz muito mais do que a própria voz em alto e bom som atinge. O silêncio propicia o reencontro com o desconhecido chamado "eu". O nosso único habitante e, no entanto, o menos íntimo de nós.

Noites de encontrar a gente mesmo.


Obs.: A rua fotograda é a Rua Barão do Triunfo, no Centro Histórico de João Pessoa numa dessas noites de maio

Ladeira abaixo

Por esses dias descobri que não me conheço o suficiente. É estranho, por vezes, habitar um corpo que a gente parece conhecer mas ser o que ou quem não tem certeza absoluta. Absoluta e certeza são duas meras peças náufragas dessas ondas. Sessões e sessões de terapia em que o ponto x da questão não existia ou não era encontrada e eis que numa manhã desbotada de outuno dentro de um ônibus ela surgiu e faz rolar pela ladeira abaixo, três lágrimas. Ainda não sei se de alívio ou de desespero. É tudo novo, é tudo deslocado e sem ainda fazer sentido.
É difícil, de repente chegar a conclusão: Podemos até ser nossas escolhas, mas nem sempre nossas escolhas são escolhidas por nós. Daí o desconforto de descobertas involuntárias e sem autonomia.

Admitir é o primeiro passo de mudança ou de afogamento.